Para celebrar o 100º episódio do Basticast, nada melhor do que um convidado à altura: Sérgio Dutra Santos, mundialmente conhecido como Serginho ou Escadinha, que redefiniu a posição de líbero no voleibol.
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Quem é Serginho (Escadinha)?
Nascido no Paraná e criado em Pirituba, periferia de São Paulo, o menino que tinha o vôlei como uma necessidade para mudar a vida da família conheceu o esporte graças à sua mãe, dona Didi, que comprou uma bola na feira.
No bate-papo exclusivo com Lucas Lustoza e Mariana Mello no Basticast, Serginho relembra como a paixão começou longe das quadras oficiais:
“Final da década de 80 e começo da de 90, o voleibol era elitizado. Minha rua não tinha asfalto, como eu ia jogar vôlei? A gente jogava no varal de casa. Eu nem pensava em Olimpíada. Eu queria jogar vôlei. Eu queria chegar perto daqueles caras, eu queria ter a camisa do Carlão”. disse.
A Descoberta de Uma Nova Posição
O que muitos não sabem é que o maior líbero da história começou como atacante, chegou a vender produtos de limpeza após o fim de um time e quase não aceitou o teste que mudaria sua vida em 1997.
A posição de “líbero” havia acabado de ser criada pela FIVB, e o convite veio do ex-companheiro Chicão, para jogar no São Caetano. Serginho, que já era pai, hesitou, mas a explicação que recebeu foi o empurrão necessário:
“Ele falou que a Federação tinha criado uma posição no vôlei que ‘não fazia nada’. (…) E ainda falou: ‘moleque, se a bola for na estação de trem em São Caetano, você pula de cabeça como se fosse um prato de comida para o seu filho. Se a bola bater na sua cara, você não vai chorar não.’ Eu falei: ‘só isso?! Eu vou!’”
A seleção brasileira e o Ídolo Maurício
A primeira convocação veio em 2001. Serginho achou que a repórter falava de futebol e de Carlos Alberto Parreira, até entender que Bernardinho o chamava para a Seleção. Lá, deparou-se com a realidade de estar ao lado dos caras que via na TV.
“Os caras tudo forte, saíam nas revistas. Eu pesando 78kg, magrelo. Eu passei mal de tanto treinar, mas me recuperei, e eu voltei para o treino. Já estou aqui, ninguém me tira mais.”
E não tirou. Serginho não só se firmou, como dividiu quarto com seu maior ídolo, Maurício. O levantador foi essencial na primeira conquista olímpica do líbero, em Atenas 2004, prometendo ajudá-lo a sair do aluguel. A vitória veio, e a ficha demorou a cair:
“Não sabia se eu chorava porque era campeão, ou se porque eu ia sair do aluguel.”
O Senhor das Olimpíadas: Legado Muito Além da Quadra
O currículo de Serginho é incomparável. Ele é o único jogador de vôlei a disputar quatro finais olímpicas consecutivas:
- Ouro: Atenas 2004 e Rio 2016 (onde foi eleito MVP aos 40 anos)
- Prata: Pequim 2008 e Londres 2012
- Mundiais: Ouro em 2002 e 2006
- Liga Mundial: 7 títulos
Apesar do peso histórico das medalhas, o ex-atleta, que hoje comanda a Volleyball House, é categórico sobre o que realmente importa em sua vida, especialmente após enfrentar questões familiares e a saúde mental de um de seus filhos:
“Se eu pudesse tirar a dor dessas pessoas, eu trocaria tudo, até essas medalhas. (…) Eu não lembro que eu fui um atleta. Eu quero ser o Sérgio que eu sempre fui, o filho da dona Didi, do seu Domingos, pai do Marlo, do Matheus e do Martin, amigo de todo mundo.”


