Dia do Goleiro: Quem foi Manga, o lendário jogador que fez história em Botafogo e Internacional
Poucos atletas no mundo são capazes de alterar o calendário de uma nação. No Brasil, o dia 26 de abril é sagrado para quem vive sob as traves. A data, que marca o nascimento de Haílton Corrêa de Arruda, o Manga, foi oficializada como o Dia do Goleiro.
Manga não foi apenas um jogador; foi uma instituição do futebol sul-americano, cujas mãos, marcadas por dedos tortos por causa das inúmeras boladas e fraturas, contaram a história de quatro décadas de defesas impossíveis.
Onde Manga iniciou sua carreira?
Nascido no Recife, Manga começou no Sport, mas foi no Botafogo que ganhou o mundo. Entre 1959 e 1968, ele foi o guardião de uma constelação que incluía Garrincha e Nilton Santos.
Sua autoconfiança era tamanha que ele costumava “marcar” os jogos contra o Flamengo, avisando que o prêmio da vitória já estava gasto em mantimentos para sua casa.
“O bicho já está certo, vou gastar tudo em leite para as crianças”.

A Seleção e a cicatriz de 1966
Nem tudo foram flores. Manga foi o titular do Brasil na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Em um torneio conturbado para a Seleção, ele falhou no jogo decisivo contra Portugal de Eusébio. A crítica foi feroz, e Manga demorou a recuperar o prestígio com a camisa amarelinha.
Muitos historiadores defendem que, não fosse o clima político e a desorganização daquela Copa, ele teria sido o titular absoluto também em 1970, dada a forma física absurda que mantinha.
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A passagem pelo futebol uruguaio
Manga encontrou sua segunda pátria no Uruguai. Pelo Nacional, ele se tornou um herói nacional, conquistando a Libertadores e o Mundial de 1971. Para os uruguaios, ele é frequentemente citado como o maior goleiro da história do clube.
A Era de Ouro no Beira-Rio
Aos 37 anos, quando muitos o consideravam acabado, Manga desembarcou no Internacional. O que se viu entre 1974 e 1976 foi um fenômeno. Ele foi a peça fundamental para que o Colorado conquistasse o bicampeonato brasileiro (75/76).
Sua técnica era peculiar: ele raramente usava luvas, preferindo o contato direto com a bola para ter “mais firmeza”. Ele também era famoso por suas reposições de bola; conseguia lançar a bola com as mãos até o campo de ataque, criando contra-ataques mortais.
Manga estendeu sua carreira até os 45 anos, passando por Operário-MS, Coritiba, Grêmio e, finalmente, o Barcelona de Guayaquil, no Equador, onde se aposentou em 1982.
Após pendurar as chuteiras, Manga permaneceu no Equador por quase 40 anos. Trabalhou como treinador de goleiros, mas, com o passar das décadas, a fama foi substituída pelo esquecimento e por graves dificuldades financeiras.

O falecimento em 2025
Manga faleceu em 8 de abril de 2025. Estava internado no Hospital Rio Barra e lutava contra um câncer de próstata. Seu velório foi realizado no Salão Nobre de General Severiano, sede do Botafogo, o lugar onde ele se tornou uma lenda nacional.
Ficha técnica de Manga:
| 🧤 FICHA TÉCNICA: MANGA (Haílton Corrêa de Arruda) | |
|---|---|
| 🎂 Nascimento | 26 de abril de 1937 (Recife, PE) |
| 🕊️ Falecimento | 8 de abril de 2025 (Rio de Janeiro, RJ) |
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