Exclusivo | Edenilson freia empolgação no Botafogo: “Posso ser vilão no domingo e o melhor na quarta”
Por Lucas Dantas e Rodrigo Calvino
Edenilson chegou ao Botafogo em fevereiro de 2026 e rapidamente assumiu um papel de destaque na equipe. Contratado como uma oportunidade de mercado, o volante de 36 anos ganhou espaço com a chegada do técnico Franclim Carvalho e já soma quatro gols e três assistências em 14 jogos.
A fase positiva, no entanto, não deslumbra o jogador. Em entrevista exclusiva ao 365Scores, o camisa 88 do Glorioso afirmou que prefere ser “bem linear” no dia a dia porque entende que, no movimentado calendário brasileiro, a linha entre herói e vilão é extremamente tênue.
➡️ “MLS seria um bom lugar para ele”: Em exclusiva, Evander fala de chance de Neymar no Cincinnati
➡️ “É onde eu pertenço”: Moscardo se reinventa no Braga e mira retorno ao PSG
“Não gosto de me acomodar, de achar que está tudo certo. Sempre procuro melhorar, até porque o calendário, com jogo a cada dois, três dias… O futebol é muito dinâmico. A fase boa não me empolga, assim como a ruim não me põe para baixo.
Tento ser um cara bem linear no meu dia a dia, nas minhas decisões, porque, quando se fala de calendário brasileiro, a gente pode ser um vilão no domingo e o melhor na quarta. Temos que ter uma linha de trabalho e a convicção daquilo que está fazendo, e eu procuro ser assim”, disse Edenilson.

A nova fase com Franclim Carvalho
Franclim Carvalho estreou no início de abril e ainda não perdeu no comando do clube carioca – são quatro vitórias e três empates. Antigo auxiliar de Artur Jorge, o profissional vive seu primeiro trabalho como treinador principal no Alvinegro.
Para Edenilson, a contratação do português trouxe “nova perspectiva e expectativa para todos os jogadores”. Segundo o volante, a troca no comando renovou o ambiente e abriu espaço para quem vinha sendo menos utilizado.
“A mudança de treinador trouxe nova perspectiva, nova expectativa para todos os jogadores. Às vezes, com um treinador, alguns jogadores se sentem mais escanteados, menos usados. Quando troca, acaba dando uma nova esperança para todo mundo, e a chegada do Franclim deu isso.
Ele tem usado todo o grupo e tem feito essa gestão muito bem. Todo mundo está tendo a oportunidade de demonstrar seu trabalho”, afirmou.
➡️ Veja: Guilherme fala ao 365Scores sobre pressão no Santos e revela bastidores de Neymar
➡️ Exclusiva com Guilherme Smith: do medo de morrer na guerra na Ucrânia à Champions League
O atleta também destacou o perfil de Franclim, que alia gestão de grupo e organização tática, e revelou ter se surpreendido positivamente com o início do treinador.
“Trabalhei com muitos treinadores. Alguns optam mais pela gestão de grupo, outros pela parte tática. Mas ele tem uma boa mescla disso. Ele consegue gerir o grupo e também passar a parte tática para todo mundo. Não conhecia o trabalho dele, por ser um treinador jovem. Me surpreendeu bastante positivamente”.

A crise no Botafogo
Edenilson também foi questionado sobre o momento conturbado que o Botafogo vive fora das quatro linhas. Atualmente, o Alvinegro enfrenta crise na gestão, potencializada pelo afastamento de John Textor do comando da SAF e pelo protocolo do pedido de Recuperação Judicial.
Na última sexta-feira (1º), o clube publicou o balanço financeiro referente a 2025, que trouxe um dado preocupante: apesar do faturamento recorde de R$ 1,4 bilhão, a dívida subiu para R$ 2 bilhões.
O volante foi direto ao abordar o tema: admitiu que é impossível ignorar completamente o que acontece fora do clube, mas destacou que o grupo decidiu transformar o barulho externo em combustível dentro de campo.
“A diretoria tem resolvido, tem nos passado as resoluções. Temos que nos preocupar, principalmente, na parte de campo, de treino, de jogos. A gente sabe como os clubes funcionam e o quanto as vitórias e os resultados ajudam a resolver as coisas o quanto antes.
Temos seguido essa linha e demonstrado total compromisso dentro de campo. É um grupo que se blindou de qualquer coisa externa”, assegurou.
Em meio à crise administrativa, o ambiente esportivo do Glorioso também sente os reflexos. Um exemplo é a provável saída de Alexander Barboza para o Palmeiras. O zagueiro, um dos líderes do time e querido por elenco e torcida, deve ser negociado para aliviar a folha salarial da equipe carioca.
“Infelizmente, tem questões que não cabem aos jogadores decidirem. Acho que tem empresários, tem diretoria, tem donos, tem clubes. Ao mesmo tempo, se a gente pudesse torcer para que todos os jogadores se identificassem e que estão nos ajudando pudessem ficar, a gente também faria isso.
Mas a gente sabe como o futebol gira. Então, torcemos para que tenha o melhor desfecho para todo mundo e que o Botafogo consiga seguir o seu caminho, sempre independente dos jogadores”, finalizou Edenilson.
Números de Edenilson pelo Botafogo
Veja outras respostas de Edenilson
O que mudou no Edenilson jogador em relação ao início da carreira?
“Bastante coisa. Acho que, com o tempo, a gente vai aprendendo, até mesmo nessa questão de mudança, a se adaptar o quanto antes, ao calendário também. Foi uma coisa que me ajudou bastante.
Sou um dos jogadores que está há bastante tempo no Brasil, então a gente percebe essa dificuldade dos jogadores que vêm da Europa ou de outros campeonatos. Por estar já no Brasil há algum tempo, isso me ajuda bastante na adaptação ao calendário”.
O apelido “Super Ed”
“Eu gosto, acho legal. Às vezes, outros jogadores com quem eu nunca joguei me cumprimentam depois do hino e falam: ‘fala, Super Ed’. Até mesmo outras pessoas acabam me chamando assim. Até por ser um super-herói, a criançada também gosta”.
Primeira impressão ao chegar no Botafogo
“Eu tive um ambiente que me recebeu muito bem: funcionários da diretoria, jogadores… Me sinto há muito tempo aqui. Vi que tinha um ambiente de pressão por resultados, mas também vi um grupo de muita qualidade, jogadores de muita qualidade, então sabia que o processo natural era que esse grupo vencesse jogos, pegasse confiança. Temos demonstrado isso, e os últimos jogos falam por si só”.
O que mais pesou na decisão de vir para o Botafogo?
“Às vezes, a gente precisa mudar de ambiente de trabalho para ter tranquilidade. Sempre gostei de estar no Rio de Janeiro. A camisa do Botafogo, a história fala por si só. Não foi uma decisão difícil. Já estava com isso na minha cabeça (a mudança de ares). Não me arrependo nem um pouco”.
O desempenho positivo te surpreendeu de alguma forma?
“Sempre que a gente muda, tem essa incerteza de como vai ser. Como falei, o jeito que eu fui recebido me ajudou muito, como as pessoas me tratam no dia a dia. Eu já vinha de um começo (de temporada) muito bom no Grêmio. Saí de lá como o vice-artilheiro da equipe. Graças a Deus, consegui manter isso aqui. Treino e trabalho têm me compensado, assim como todo o nosso grupo”.
Se imaginava mantendo esse nível de desempenho com essa idade?
“Eu não reconheço minha idade (risos). Eu não me sinto com uma idade avançada. Acho que as pessoas acabam rotulando os jogadores. Como eu falei, estou há muito tempo no Brasil, então o pessoal acha que eu estou velho. Na verdade, eu acho que 36 anos ainda é uma idade boa. A gente vê outros jogadores com 36 anos que não são considerados velhos”.
Então, às vezes, as pessoas rotulam mais aqueles de quem talvez não gostam tanto ou que não têm tanta mídia. Aí um, com 36, está velho; o outro, com 36, é craque. Esse rótulo não serve muito para mim, porque eu me sinto performando bem, posso jogar 90 minutos normalmente e desempenhar corretamente. Por isso, acho que não aceitei bem essa ideia de idade”.
Já pensa no pós-carreira?
“Eu falo que eu quero aproveitar meus filhos, porque eu acho que a nossa carreira tira um pouco do dia a dia. Perdemos muita coisa com os filhos. Ao mesmo tempo, toda vez que eu falo para eles que eu quero me aposentar teoricamente cedo, eles falam que eu tenho que jogar mais. Então, a gente chega nesse impasse”.
Em qual função se imagina após se aposentar?
“Não pensei nisso ainda. Lógico que temos que nos programar, mas gosto de viver o dia a dia. Acho que é importante se preparar também para o pós carreira, procurar estudar algumas funções também. Dentro de campo, não me vejo como treinador ou auxiliar, até pela questão do trabalho, de aproveitar.
Seria totalmente o contrário. Treinador é o cara que mais passa tempo dentro do clube, do trabalho, de casa, focado sempre no próximo jogo. Acho que pretendo seguir outra linha”.
Clubes da carreira de Edenilson:
| Botafogo | |
| Grêmio | |
| Atlético-MG | |
| Internacional | |
| Udinese | |
| Genoa | |
| Corinthians | |
| Caxias |
Não quer perder nenhum placar de futebol ou os jogos de hoje na tv? Fique por dentro acessando o site do 365Scores: resultado ao vivo, jogos em andamento, classificação atualizada, histórico de confrontos, desfalques e muito mais!




