Messi publica mensagem de despedida ao pai: “Não sei como seguir em frente”
Lionel Messi publicou nesta quarta-feira (12) uma longa mensagem de despedida ao pai, Jorge Messi, que morreu no último sábado (12).
Em um texto emocionante, o craque argentino relembrou a relação dos dois, a presença dele desde o início de sua carreira e lamentou não ter conseguido compartilhar mais momentos juntos.
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Messi contou que ainda tem dificuldade para acreditar na perda e afirmou que o pai esteve ao seu lado desde os primeiros passos no futebol
“Você foi pai, amigo e empresário. Sempre foi a pessoa que precisava ser em cada momento e nunca errou em nada”, escreveu Messi.
Messi relembra relação com o pai
O argentino também recordou um dos momentos mais marcantes da carreira: a última Copa do Mundo. Messi contou que o pai pedia que ele disputasse o torneio e que os dois chegaram a conversar sobre a possibilidade de a Argentina chegar à final.
“Você me pedia tanto para jogar a última Copa do Mundo”, afirmou Messi.
O jogador revelou ainda que esperava receber mensagens do pai após cada partida e que a ausência delas fez com que percebesse a gravidade da situação.
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Messi também destacou que o pai foi mais do que um familiar: era seu amigo e empresário, além de uma figura fundamental em sua trajetória no futebol.
“Não sei o que vou fazer sem você, não sei como seguir em frente”, desabafou o craque.
Ao final da mensagem, Messi afirmou que pretende manter os ensinamentos recebidos do pai na educação de seus próprios filhos.
“Descanse em paz e cuide de nós aí de cima como fazia aqui. Obrigado por tudo. Te amo, pai”, concluiu.
As origens em Rosário e o sacrifício por Lionel Messi
Nascido em 1º de janeiro de 1958 em Rosário, Argentina, Jorge Messi, carinhosamente conhecido por pessoas próximas como “Peluca”, construiu sua vida com base na cultura do esforço. Trabalhava como supervisor em uma fábrica de aço e, junto com sua esposa Celia Cuccittini, formou uma família de quatro filhos em uma situação econômica inicial apertada.
No final da década de 1990, quando o pequeno Lionel Messi brilhava nas categorias de base do Newell’s Old Boys, a família enfrentou um desafio enorme: o caro tratamento médico de que o menino precisava para tratar seu déficit de hormônio do crescimento.
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Diante da falta de recursos e de respostas no cenário local, Jorge tomou a audaciosa e histórica decisão de arrumar as malas e buscar alternativas no continente europeu para salvar o futuro de seu filho.
Aos 13 anos de Lionel, Jorge viajou com ele para a Espanha, enfrentando a dolorosa separação familiar, já que Celia retornou à Argentina com os outros filhos.
Jorge manteve a aposta e zelou pelo bem-estar de seu filho até conseguir que o Barcelona aceitasse financiar a totalidade do tratamento médico, marcando o início da era mais gloriosa do futebol.
Além do seu vínculo paterno, Jorge Messi transformou-se, ao longo dos anos, no administrador estratégico da carreira de Lionel Messi, gerenciando de forma rigorosa todos os negócios por meio da estrutura empresarial familiar.
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Apesar de negociar os contratos mais milionários da história do esporte, ele sempre optou por manter um perfil midiático extremamente discreto, mantendo-se afastado dos holofotes e das câmeras de televisão.
Veja a nota de Lionel Messi na íntegra
“Pai, ainda não consigo acreditar que você se foi. A ficha não caiu, ou melhor, não quero que caia. É muito difícil para mim imaginar que não vou mais te ver, que não vamos mais conversar. Sei que você estava sofrendo e que é o melhor, mas você se foi cedo demais. Ainda tínhamos muito o que aproveitar juntos.
Você me pedia tanto para jogar a última Copa do Mundo e, poucos dias antes de começar, foi quando você piorou.
Era a primeira vez que você não estaria em um torneio, mas a mãe me dizia que você ia melhorar e que ficaria bem para poder viajar. Eu te dizia que íamos chegar à final para que você pudesse viajar.
A cada jogo que terminava, eu esperava e sentia falta da sua mensagem. Foi aí que percebi que a situação era grave de verdade. Mesmo assim, não parava de pensar em chegar o mais longe possível, para te dar tempo de ver uma partida.
Chegamos à final e você não pôde estar lá. Queria ganhá-la para levar para você e te mostrar uma nova. Não consegui, minhas pernas não aguentavam mais. Desta vez tentei ir contra o meu físico, mas não consegui. Nunca consegui me sentir bem.
Quando cheguei, você achava que tínhamos perdido a final nos pênaltis. Não conseguimos conversar sobre nada do que aconteceu. Você não pôde aproveitar nada. Não fomos campeões, mas você não sabe como aproveitamos cada jogo. Mais uma vez, você tinha razão: eu tinha que estar lá e jogar.
Te conto isso porque foi a única coisa sobre a qual não pudemos conversar, porque todo o resto você já sabe. A gente se falava todos os dias e se via quando dava, por causa dos meus compromissos.
Não sei o que vou fazer sem você, não sei como seguir em frente. Eu só jogava futebol e agora tenho muitas dúvidas se vou continuar fazendo isso por muito mais tempo. Você esteve ao meu lado desde o início, faltava tão pouco para o fim. Por que você não aguentou só mais um pouquinho para terminarmos juntos?
Sei que a sua felicidade era ver a sua família bem, a sua esposa, os seus filhos e, acima de tudo, sem que os outros soubessem, me ver jogar…
Desde pequeno sempre foi assim. Você me levava a todos os treinos assim que chegava do trabalho. Em muitos quem me levava era a mãe porque você estava trabalhando.
Obviamente, você não faltava a nenhum jogo. Como você sofria me assistindo e como aproveitava, embora nunca me desse muitos elogios.
Você foi pai, amigo e empresário. Sempre foi a pessoa que precisava ser em cada momento e nunca errou em nada. Além de algumas broncas ou discussões, você sempre tinha razão. No fim, acabava acontecendo exatamente como você dizia.
Vou sentir muito a sua falta, mas você sempre estará presente, especialmente na educação dos meus filhos, porque os ensino e os educo como vocês fizeram comigo.
Descanse em paz e cuide de nós aí de cima como fazia aqui. Obrigado por tudo.
Te amo, pai.“
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