Copa do MundoSeleçãoFutebol365 Entrevista

De Fusca do Brasil até os Estados Unidos: conheça o torcedor que vai se aventurar na estrada para ver a Copa do Mundo

Você já pensou em sair com seu carro, pegar a estrada e cruzar fronteiras para assistir a uma Copa do Mundo? Provavelmente não – e, se pensou, talvez tenha considerado a ideia uma loucura.

Mas Guilherme Martin pensa diferente. Na próxima semana, ele inicia uma longa jornada de cerca de 14 mil quilômetros com seu Fusca rumo aos Estados Unidos para acompanhar a seleção brasileira no Mundial.

A ideia do projeto nasceu no ano passado. Depois de percorrer mais de 50 mil km com seu fusquinha azul para acompanhar o Grêmio pela América do Sul, o gaúcho de 34 anos passou a alimentar o sonho de colocar o companheiro de viagem em rota novamente, desta vez para viver a experiência de ver a Amarelinha na Copa.

➡️ A nova era do New York Cosmoscomo o clube que Pelé imortalizou planeja voltar após hiato
➡️ “Rir nos tempos difíceis”: Torcedor do United que não corta o cabelo explica promessa

Apesar de o desafio representar um salto considerável – afinal, Guilherme nunca saiu da América do Sul com o carro -, ele garante que, ao menos até agora, não há espaço para arrependimento.

“Se eu pensar muito, eu nem saio de casa. Então é pegar o Fusca e sair de uma vez”, disse Guilherme, em entrevista ao 365Scores.

Muito além do motor: o significado do Fusca na saga

O gremista comprou o Fusca 1971 há dois anos. A paixão pelo modelo vem desde cedo e, com o carro, ele já visitou sete países do continente desde 2024, quando decidiu criar o projeto “Até de Fusca Nós Iremos”, brincando com o hino do tricolor gaúcho. A proposta é simples e direta: estar com o Grêmio onde o Grêmio estiver.

Personalizado com as cores do Grêmio e adesivos de embaixadas do clube por onde passou, o veículo carrega marcas que vão além da lataria. Mesmo com os inúmeros “perrengues” enfrentados ao longo do caminho, o Fusca tem um significado especial para o gaúcho de Porto Alegre.

Fusca de Guilherme possui diversos adesivos relacionados ao Grêmio – Foto: Lucas Dantas/365Scores

“O Fusca, para mim, representa liberdade, desafio e resiliência. Dá muito problema, e precisa ser resiliente para não desistir.

Ele é a materialização da paixão que eu tenho pelo futebol, já que o uso para acompanhar meu time do coração e, agora, a seleção brasileira. É a melhor definição do que representa para mim”, ressaltou.

Os desafios de cruzar 15 países até a Copa do Mundo

Para chegar a tempo da estreia do Brasil na Copa, Guilherme sai de Porto Alegre na próxima semana. A expectativa é percorrer 14 mil km por terra ao longo de um trajeto que deve durar entre três meses e meio e quatro meses.

Segundo ele, a ideia é “rodar uma média de cerca de 500 km diários, sem forçar o carro, sempre priorizando viajar durante o dia”.

O maior desafio logístico, no entanto, não será o asfalto, mas a ausência dele. Na fronteira entre a Colômbia e o Panamá, o criador de conteúdo terá que interromper a viagem pela rodovia por causa do Tampão de Darién.

➡️ Pai de Pelé jogou láConheça o Yuracan, primeira SAF “startup” do Brasil
➡️ Confira a lista! Quem é o treinador com mais participações na Copa do Mundo?

A região é uma área extensa de selva, com 575 mil hectares, considerada um dos locais mais perigosos do mundo. Frequentemente, refugiados e imigrantes arriscam suas vidas em meio à vegetação densa para tentar chegar aos Estados Unidos.

O caminho é cercado pela falta de segurança, vulnerabilidade a altas temperaturas, ataques de animais selvagens e presença de grupos criminosos.

As únicas opções que ligam os dois países são de avião ou de barco. E é por via marítima que Guilherme escolheu seguir seu trajeto.

Ele colocará o Fusca em um contêiner fechado dentro de um navio, que sairá de Cartagena, na Colômbia, para a cidade portuária de Colón, situada na entrada caribenha do Canal do Panamá.

Fusca 1971 de Guilherme – Foto: Lucas Dantas/365Scores

Pneu furado e motor fundido: os desafios na estrada

Com dois anos de estrada, o torcedor do Grêmio já acumulou uma extensa lista de imprevistos durante as viagens pela América do Sul. Pneu furado e motor fundido no Peru, para-brisa quebrado a caminho da Argentina, Fusca apreendido no Uruguai…

Com pensamento positivo, Guilherme está na expectativa de que nada ocorra ao longo do caminho até os Estados Unidos. Ainda assim, ele reconhece que, caso aconteça, é preciso ter tranquilidade para resolver.

“Espero que fique tranquilo até a volta (risos). Quando acontece algum problema, minha cabeça entra no piloto automático. Eu prefiro resolver tudo com calma do que ficar nervoso e piorar a situação”, afirmou o criador de conteúdo, que tem seus pensamentos como companheiros de viagem nos longos percursos:

➡️ Copa do Mundo de 2026 nos EUA: quais cidades vão receber jogos?
➡️ PIB da Copa do Mundo: Qual valor o evento gera para o país-sede?

“A estrada faz a gente pensar muito. Planeja paradas, pensa nos riscos, na chegada. Já zerei o Spotify (aplicativo de música) de tanta playlist. Penso na família, nos amigos, no projeto. Só evito pensamento negativo, porque parece que atrai problema”, garantiu.

Além da resiliência mecânica e mental, o projeto também depende de uma verdadeira economia de guerra. Viajar pela América Latina em um carro clássico impõe limites claros ao orçamento, e a estratégia é o desapego ao conforto.

“Eu tenho uma barraca dentro do Fusca, mas há lugares em que não dá para parar por causa do risco. Sempre tento fazer a viagem no menor custo possível, porque a estrada já é cara.

Para economizar, durmo na barraca ou no Fusca. Quando não dá nenhuma dessas opções, procuro um hostel, sempre a alternativa mais barata, porque o orçamento é limitado.”

O roteiro detalhado: do Brasil aos Estados Unidos de carro

Para chegar aos Estados Unidos, Guilherme pretende subir a América do Sul a partir do oeste catarinense. De lá, entrará na Argentina e seguirá até o norte do país, passando pelo Chile, cruzando o deserto do Atacama e percorrendo Peru, Equador e Colômbia.

Depois do trecho de navio para o Panamá, seguirá pela América Central até chegar na América do Norte pelo México, rumo ao destino final.

O longo caminho, no entanto, demandará uma extensa lista de documentos. Afinal, a viagem inclui países fora do Mercosul, o que impõe exigências específicas tanto para o motorista quanto para o veículo. Mesmo assim, o gremista garantiu que “está tudo praticamente resolvido”.

Quando, enfim, colocar as rodas do Fusca em solo americano, o criador de conteúdo terá que iniciar uma nova aventura: a de caçar ingressos para os jogos da seleção brasileira.

Sem conseguir conciliar financeiramente a compra dos bilhetes com a viagem, ele mantém a esperança de que encontrará preços mais acessíveis para assistir aos comandados de Carlo Ancelotti na Terra do Tio Sam.

“Tive que escolher: ou comprava os ingressos ou fazia a viagem. Os dois não dava. Achei os valores muito altos. A ideia é acompanhar a Seleção nas cidades, ir às FanFests e, se aparecer algum ingresso mais acessível lá na frente, tentar comprar”, explicou.

➡️ Copa do Mundo de 2026: Quanto custam os ingressos?
➡️ Muita demanda: Confira os cinco jogos da Copa do Mundo com maior procura por ingressos

“O maluco na estrada”

Desde que passou a viajar pelo continente sul-americano com o carro, Guilherme conta que a família estranhou as aventuras, mas nunca tentou desmotivá-lo.

Todo mundo fala: se é o que tu quer, vai em frente“.

Entre quilômetros e incertezas, o viajante já se pega pensando na chegada aos Estados Unidos. Ao falar da viagem, ele até brinca com um nome para a própria história.

“Chegar lá vai ser um misto de alegria e gratidão, uma realização pessoal enorme. É aquele sentimento que só estando lá para saber. Tenho certeza de que vai ser uma emoção que nunca senti na vida”, disse.

“Difícil pensar num nome para isso tudo, mas algo como ‘o maluco na estrada’, ‘o maluco e seu amigo‘ acho que caem bem!”.

Desenvolvido por365Scores.com

Não quer perder nenhum placar de futebol ou os jogos de hoje na tv? Fique por dentro acessando o site do 365Scores: resultado ao vivo, jogos em andamento, classificação atualizada, histórico de confrontos, desfalques e muito mais!

Lucas Dantas

Jornalista formado pela UNIFACHA do Rio de Janeiro, apaixonado por futebol e pela arte de contar boas histórias dentro e fora das quatro linhas. Também tento me arriscar na Fórmula 1.

835 Articles

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo